Dracônidas e Orionídeas: a temporada de estrelas cadentes de outubro e como vê-las sem telescópio
As Dracônidas, uma chuva imprevisível que às vezes oferece centenas de meteoros por hora, abriram a temporada. Depois vêm as Orionídeas, restos do cometa Halley. Explicamos o que são, quando olhar e como fazer boas fotos com o celular.
Foto: Wikimedia Commons · Public domain
Outubro é um dos melhores meses do ano para olhar para o céu. No começo do mês chegaram as Dracônidas, uma chuva de meteoros famosa por ser imprevisível, e na segunda metade do mês atingem o pico as Orionídeas, formadas por fragmentos do cometa Halley. Para vê-las não é preciso telescópio: basta um lugar escuro, um pouco de paciência e uma manta.
O que é uma chuva de meteoros
As "estrelas cadentes" não são estrelas. São pequenas partículas de poeira e rocha, muitas do tamanho de um grão de areia, que entram na atmosfera da Terra a dezenas de quilômetros por segundo. O atrito com o ar as aquece até que se vaporizem, deixando um risco de luz que dura uma fração de segundo.
Quando a Terra, em sua órbita ao redor do Sol, atravessa o rastro de poeira deixado por um cometa, acontece uma chuva de meteoros. Como a Terra cruza esses rastros nas mesmas datas todos os anos, as chuvas são periódicas. Todas parecem surgir de um mesmo ponto do céu, o radiante, que dá nome a cada chuva conforme a constelação onde está.
As Dracônidas: a chuva imprevisível
As Dracônidas vêm do cometa 21P/Giacobini-Zinner e parecem sair da constelação do Dragão, no céu do norte. Na maioria dos anos são discretas, com poucos meteoros por hora. Mas de vez em quando surpreendem: em 1933 e 1946 houve verdadeiras tempestades de meteoros, com milhares por hora, e em 2011 e 2012 houve picos notáveis. Por isso os astrônomos as acompanham todo ano: nunca se sabe direito o que vai acontecer.
Uma vantagem: elas são mais visíveis no começo da noite, não de madrugada, porque o radiante fica alto nas primeiras horas. No Brasil e no restante do hemisfério sul são difíceis de observar, já que o Dragão fica muito baixo ou abaixo do horizonte.
As Orionídeas: pedacinhos do cometa Halley
O cometa Halley passa perto do Sol a cada 76 anos, mais ou menos (a última vez foi em 1986 e a próxima será em 2061). Mas não é preciso esperar: duas vezes por ano a Terra atravessa os restos que ele deixou. Em maio eles produzem as Eta Aquáridas e, em outubro, as Orionídeas.
As Orionídeas costumam atingir o pico por volta de 21 de outubro, com cerca de 10 a 20 meteoros por hora em boas condições. São rápidas e às vezes deixam rastros persistentes. O melhor: podem ser vistas dos dois hemisférios, porque Órion é visível de quase todo o planeta. O melhor momento é depois da meia-noite até antes do amanhecer.
Como ver: guia prático
- Afaste-se das luzes da cidade. A poluição luminosa é o maior inimigo. Um parque afastado, o campo ou a praia são ideais.
- Confira a Lua. Uma Lua brilhante apaga os meteoros mais fracos. Os dias perto da lua nova são os melhores.
- Deixe os olhos se adaptarem. Eles levam de 20 a 30 minutos para se acostumar ao escuro. Não olhe o celular, ou use o modo de luz vermelha.
- Deite-se e olhe para cima. Não é preciso olhar para o radiante: os meteoros aparecem em qualquer parte do céu. Uma espreguiçadeira ou uma manta no chão é perfeita.
- Agasalhe-se. As madrugadas podem ser frias, mesmo em lugares de clima ameno.
- Tenha paciência. Os meteoros vêm em ondas. Reserve pelo menos uma hora.
Como fotografar com o celular
Muitos celulares atuais têm modo noite ou modo "pro", que permite exposições longas. Algumas dicas:
- Use um tripé ou apoie o celular numa superfície firme.
- Ative o modo noite ou ajuste uma exposição de 10 a 30 segundos, se sua câmera permitir.
- Foque manualmente no infinito e desligue o flash.
- Use o temporizador para não mexer o aparelho ao tocar na tela.
- Tire muitas fotos seguidas: pegar um meteoro é questão de sorte.
Cuidado com as fotos "perfeitas demais"
Toda vez que há uma chuva de meteoros, circulam nas redes imagens espetaculares com dezenas de meteoros cruzando o céu sobre uma paisagem. Muitas são reais, mas são composições: dezenas ou centenas de fotos feitas ao longo de horas e unidas numa só. Outras são geradas por inteligência artificial. A olho nu, o normal é ver um meteoro a cada poucos minutos, não uma chuva contínua como nos filmes.
Elas são perigosas?
Não. As partículas são tão pequenas que se desintegram a uns 80 ou 100 quilômetros de altura. Nenhuma chega ao chão. Os meteoritos que alcançam a superfície normalmente vêm de asteroides, não dessas chuvas.
Próximos encontros no céu
Depois das Orionídeas vêm as Táuridas, em novembro, conhecidas por suas "bolas de fogo" lentas e brilhantes, e as Leônidas, em meados de novembro. Em dezembro, as Geminídeas costumam ser a chuva mais intensa do ano. Uma boa desculpa para sair de casa, desconectar e olhar para cima.
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